Por diversas vezes nós, enquanto sociedade, nos encontramos em uma posição competitiva, seja uma entrevista de emprego ou um grande processo seletivo, essas são situações que requerem esforço e são baseadas na lógica de "superioridade". No entanto, essa mesma lógica meritocrata e totalmente restrita é aplicada a outros campos da vida, campos onde esse sistema não é necessário e, às vezes, prejudicial.
Em essência, competir significa batalhar, concorrer por algo e, como supracitado, é uma ação que demanda preparação, garra, esforço e força de vontade. Portanto, a noção de competição não só não é ruim, como também é necessária em algumas ocasiões, porém, no mundo pós-moderno atual, existe uma sociedade do cansaço.
Essa sociedade, teorizada por Byung Chul-Han, é fundamentada na relação entre cansaço e desempenho, onde quanto mais cansado, mais realizado pessoalmente o indivíduo fica. De acordo com o sociólogo, esse fenômeno acontece devido a quantidade absurda de "estímulos", ou seja, a todo momento há uma tarefa e a necessidade de terminá-la, pois ser produtivo é imprescindível. Segundo Han, essa sociedade do cansaço também é marcada por frequentes distúrbios neuronais decorrentes da frustração de "não ser suficiente" nunca.
“No 1984 orwelliano a sociedade era consciente de que estava sendo dominada; hoje não temos nem essa consciência de dominação”
“Vive-se com a angústia de não estar fazendo tudo o que poderia ser feito”, e se você não é um vencedor, a culpa é sua. “Hoje a pessoa explora a si mesma achando que está se realizando; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout”. E a consequência: “Não há mais contra quem direcionar a revolução, a repressão não vem mais dos outros”. É “a alienação de si mesmo”, que no físico se traduz em anorexias ou em compulsão alimentar ou no consumo exagerado de produtos ou entretenimento."
algumas falas de Chul-Han em:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/07/cultura/1517989873_086219.html
Nessa lógica, os indivíduos, cada vez mais, transferem essa noção de superioridade e de competição para sua vida pessoal e essa falta de separação pode gerar conflitos banais e desnecessários. Ou seja, tem-se a necessidade de ser sempre o mais inteligente, de ler mais livros que todos, de possuir maior arcabouço e referências, de ser o melhor jogador de futebol, de ser o melhor pulador de amarelinhas...
Nota-se que essa necessidade infinita de ser (na verdade, parecer) melhor atrapalha diversos relacionamentos pessoais. Frequentemente, amigos se afastam, familiares de magoam com comportamentos baseados numa lógica de desempenho falha e mentirosa, baseadas num hiperconsumismo e no hiper cansaço.
Enfim, esses devaneios de quarentena ainda vão me transformar numa filósofa (ou numa doida)!
A minha conclusão pessoal é que "relaxar" e permitir-se "não saber algo" pode ser benéfico e saudável para a tão negligenciada saúde mental de cada um. Aproveite os momentos, divirta-se, meça a importância de "parecer" e "seja" mais!
“A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”. Chul-Han
-Giovana, socióloga de quarentena.
terça-feira, 7 de abril de 2020
segunda-feira, 6 de abril de 2020
TOP 5 LIVROS!
Olá, amigos! Hoje eu vou trazer um tema que eu amo muito falar sobre, que é a literatura. Sinceramente, eu acredito que poderia falar só sobre isso por 10h sem parar, mas hoje vou me conter e ficar só no top 5 mesmo!
- Guerra e Paz— Sério, é uma obra literária completa. Nesse livro, eu imergi profundamente nas personalidades, nas histórias e nas vidas de todas as personagens. Pra começar, o livro fala, essencialmente, sobre a campanha russa de 1812, quando Napoleão invadiu o território em razão da quebra do bloqueio continental sobre a Inglaterra. Sim, leitor, essa obra é uma narração mas poderia se encaixar perfeitamente como um livro científico! Além disso, o jeito como o autor (Liev Tolstói) descreve as distintas personalidades é completamente apaixonante, o livro é envolvente e, apesar de parecer um calhamaço, ele traz lições e reflexões tão importantes acerca de vários aspectos da vida que a leitura é fluida e prazerosa! Recomendo incessantemente a leitura deste!!!!!!
- Por Quem os Sinos Dobram–Essa obra é, no mínimo, espetacular! Seu enredo trata sobre a guerra civil espanhola de 1930, ou seja a luta da resistência republicana contra a ditadura fascista de Franco. Ou seja, assim como o primeiro livro, este traz diversos pontos históricos interessantes sem deixar de lado a prosa literária. Nesse livro, eu gostaria de destacar, também, a profundidade de cada personagem, o autor (Ernest Hemingway) consegue tão perfeitamente descrevê-los que parecem pessoas próximas a nós, é incrível a sensação de verdadeiramente conhecer esses republicanos que lutaram tão bravamente. Além disso, os ambientes são muito bem descritos e o personagem principal emana profundidade de pensamento e uma consciência que, com certeza, te fará apaixonar! Por fim, as citações, as “quotes” também são marcantes e memoráveis e devem ser destacadas!
- Revolução dos Bichos–Esse aqui, eu acredito que seja uma leitura obrigatória para todos os leitores. Nesse livro, que é uma paródia, uma sátira aos governos totalitários e ao poder descontrolado, você irá encontrar diversas lições para aplicar na vida. Ademais, tenho certeza que todos se identificaram, pelo menos, com algum “trabalhador” dessa fazenda tomada por uma revolução que foi completamente deturpada. Eu, particularmente, refleti muito sobre a distribuição de poder e, principalmente, sobre a ingenuidade daqueles que são enganados dentro de governos totalitários. A crítica desse autor crítico mordaz (George Orwell) é de suma importância para entendimento histórico de alguns fenômenos da humanidade.
- O Estrangeiro–Acho que foi meu primeiro contato com uma narrativa filosófica, baseada numa teoria real que, nesse caso, é o absurdismo de Camus. Inicialmente, devo admitir, foi um choque, um susto com a narrativa descritiva e a personalidade, propositalmente, absurda do personagem principal o Sr. Mersault. No entanto, ao adentrar mais profundamente no significado da obra, pude me envolver de uma forma surpreendente, a ponto de concordar e defender o ponto de vista de Mersault. O livro tem um toque de sátira, e toda a narrativa, me parece, um alheamento próprio, um cansaço quanto às instituições, às pessoas, às justificativas para todo o comportamento. Além disso, ao final, passei a admirar a firmeza de princípio do personagem e -spoiler- o discurso final é arrepiante e vale muito a pena toda a trajetória para chegar até ele.
- A Morte de Ivan Ilitch–Essa pequena novela de Tolstói é um mar de emoções e devaneios acerca da vida como uma instituição com regras e protocolos. O sofrimento do personagem principal, revela a todos que, na vida, não importa se você segue piamente “as regras”, ou seja: formar-se, ter um bom emprego público, casar-se feliz, ter filhos……As intempéries, as desgraças podem aparecer e é a partir delas que se percebe a fluidez e a fragilidade da vida, é a partir delas que se descobre quem são os amigos, é a partir delas que se nota a necessidade de, verdadeiramente, viver e aproveitar sem pensar nas aparências. Acredito que essa obra seja, também, completamente necessária para todos!
Ufa! Chegamos até o final da primeira parte dos meus livros preferidos! Pretendo muito continuar a compartilhar minhas experiências literárias com vocês e também, por meio do blog, manter um arquivo, com as minhas leituras! Obrigada e até mais!
-Giovana leitora 📚
sábado, 4 de abril de 2020
E novamente, um reinício!
Olá, sim, isso é mais um daqueles posts introdutórios de como eu vou -tentar- ser frequente e ativa dentro desse blog que me acompanha há tanto tempo!
Antes de começar as promessas, vale um breve momento nostálgico...Esse blog me acompanha há longos 7 anos! Sim, Giovana de 2013, com apenas 10 anos iniciou esse projeto com o intuito de escrever sobre tudo que a agradava, ora arte, livros, danças, festas, enfim 7 anos depois a Giovana de 2020, com 17 anos quer voltar e, assim como outrora, relatar as peripécias dessa loucura que é a vida.
Saindo do saudosismo, eu realmente desejo me tornar íntima de mim mesma nesse site. Quero, por meio das palavras, conhecer a mim mesma e, de fato, me expor como um ser humano qualquer vivendo (ou tentando viver) a vida ao máximo. Eu desejo que esse site seja espaço de opiniões fortes, polêmicas e também de acolhimento, dicas, resenhas e recomendações e me esforçarei para que, ao mesmo tempo, seja uma zona de conforto e uma zona de coragem!
Enfim, ficam aí minhas promessas e desejos para o futuro! E que comecem os jogos!!!
- Giovana de 2020
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